A Lenda dos Tatus
por Diana Geirinhas e Leonor Fernandes
Há muito, muito tempo, existia um reino longínquo, chamado Kituky, conhecido pela colossal relação de amizade entre a realeza e os tatus, animais doces e divertidos, com carapaça, de todos os tamanhos e feitios, com unhas gigantes e sempre prontos a ajudar quem estava em apuros. Neste reino, a vida sempre fora uma delícia - de manhã, o povo trabalhava sempre com um sorriso no rosto, e, à noite, reuniam-se todos, ricos e pobres, lindos e feios, na praça principal, onde se dançava, comia e bebia até o sol os cumprimentar de novo. Era o lugar ideal, de corações alegres e rostos sorridentes, até àquele fatídico dia… o dia em que o sol tardou a nascer para não testemunhar o adormecimento precoce da filha mais nova do rei, Astrea. Com os seus cabelos pérola e olhos brilhantes como o mar de outono, Astrea sempre fora a estrela mais brilhante do céu noturno e a flor mais cheirosa do jardim de todo o Kituky, até a vida a atraiçoar e ser abalada por uma doença de origem desconhecida. A única forma de a salvar de um destino trágico era colocar sobre o seu coração a Flor de Mil Pétalas, uma planta mágica, rara, capaz de curar qualquer maleita.
O Rei, comandado pela tristeza, procurou, em cada canto conhecido e desconhecido do Mundo, a salvação da sua filha adorada. Após um ano, nove meses, quatro dias e três noites, descobriu que a planta milagrosa crescia no topo do monte PiriPiri, o local mais temido de todo o Universo. Rapidamente ficou claro para o Rei, desesperado, que chegar junto dessa flor não era tarefa exequível para humanos. Foi então que os três mais fiéis amigos da princesa se voluntariaram para tentar salvar a vida da sua inestimável amiga. O Arcus, o Zelo e o Odin eram os tatus de companhia de Astrea e as almas mais puras de todo o Kituky. Arcus era um tatu de grande porte, cor de laranja, e um sorriso travesso, que não enganava ninguém. Este amigo maroto era o mais esperto de todos, mas tinha um mau humor de meter medo ao mais corajoso dos homens! Já Zelo, apesar de não ser tão esperto, era claramente o galã do grupo. Grande, castanho, cor do chocolate, e com um sentido de humor de descascar a rir, não havia uma tatu viva que não desejasse namorar o bonitão. E, por fim, havia Odin! Odin, castanho como a madeira e mais pequeno do que uma bola de futebol, não era certamente o mais carismático, mas compensava a ausência dessa característica com o seu coração de ouro e uma força de vontade inabalável.
Na manhã seguinte, partiram, então, ao primeiro raio de sol, em direção à única esperança do reino. O caminho, inicialmente, até foi tranquilo - a terra era macia e o sol agradável, o tempo ideal para os três amigos fazerem o que faziam melhor: discutir. O primeiro problema chegou ao anoitecer, quando alcançaram a terra Lamalui, famosa pelos seus terrenos lamacentos. Qualquer tatu com bom senso sabia o profundo desafio que a terra de Lamalui representava, já que a leste se encontrava o pântano Lematter, onde a maior inimiga de tatus se banhava todo o dia - Khan. Revestida de um pelo dourado brilhante, coberto de pepitas de chocolate negro, e com uma cicatriz a cruzar-lhe o olho esquerdo, Khan era temida pela sua personalidade cruel e oportunista. De facto, qualquer criatura inteligente sabia que Lamalui era uma terra proibida, devido aos seus inúmeros perigos, mas os nossos heróis, completamente alheios ao erro fatal que haviam cometido, entraram na “toca do lobo” com um grande sorriso no rosto. Até que…
- Olha, olha, olha, o que é que temos aqui? Um regalo para o dente, só pode! - disse Khan, com voz babada.
- Ai, meu Tatu do céu, onde raio é que nós estamos? - questionou Zelo, completamente desamparado.
- Estamos em Lamalui, suponho - explicou Odin -, mas não faço a mínima ideia do que é que um jaguar faz aqui!
- Oh minhas grandes baratas! - gritou Arcus, em desespero - Lamalui é mesmo ao lado do pântano Lematter, a piscina privada do mais feroz dos felinos, a jaguar Khan. Se vocês têm algum amor à vossa vida, ENROLEM-SE!!!
Rapidamente, os três amigos se enrolaram que nem bichos-de-conta, numa tentativa angustiada de se protegerem. Enquanto os dois tatus castanhos, Zelo e Odin, facilmente se camuflaram no meio da paisagem lamacenta, o pobre Arcus não teve a mesma sorte. Por mais enroladinho que o animal estivesse, ninguém podia ficar indiferente àquela carapaça cor de laranja que mais fazia lembrar uma gema de ovo acabado de estrelar. Subitamente, Khan, apenas capaz de ver Arcus, pressionou as suas enormes patas contra o solo e, num gigante salto rasgado, abocanhou Arcus, que, como uma rajada de vento, desapareceu no horizonte - assim, se deu a seleção natural! Desconfiados, os dois amigos olham em volta ao não sentirem o ar ameaçador de Khan a intimidá-los. Achando que podiam relaxar, Zelo e Odin desenrolam-se, desejosos de partir. Simultaneamente, o choque toma conta deles, não havendo espaço para mais nada, no seu frágil coração, para além de dor.
- Como é suposto continuarmos assim? O nosso companheiro acabou de nos abandonar! - chorou Zelo, completamente perdido.
- Eu sei que dói, mas a nossa princesa precisa de nós e Arcus deu a sua vida por isto, não vamos deixar que o seu esforço seja em vão! - encorajou Odin, tentando ser forte, apesar da chuva de cristais que lhe enchia os olhos.
- Tens razão, Odin, a tristeza estava a cegar-me! Obrigado por me fazeres ver o que é verdadeiramente importante! - suspirou Zelo, tentando acalmar-se.
- Vamos lá salvar a princesa! E assim, os nossos heróis, de coração despedaçado, decidiram recuperar energia para que, no dia seguinte, embarcassem de novo em busca da Flor de Mil Pétalas. A manhã chegou, a noite caiu e sete dias se passaram, até que, finalmente, no final do sétimo dia, Zelo, entusiasmado, exclamou:
- Odin, Odin, olha o que está lá ao longe!
- Oh, meu Tatu Divino, é o monte, é o monte PiriPiri! Nós vamos conseguir, Zelo, é só mais um pouco, estamos quase lá! - respondeu Odin, sem se deixar desencorajar pela imensidão do monte, cujo topo tocava nas nuvens brancas como algodão-doce.
E, de cara alegre, os dois amigos seguiram caminho pelo monte acima, à procura da cura da sua amada princesa. De repente, a ideia de poderem voltar para o seu reino adorado encheu-os de tanta alegria e esperança que os dois tatus sorridentes começaram a cantar:
- Em direção à flor, vamos com amor…
- …Para Astrea salvar e a maleita afastar - Enquanto Kituky espera…
- …E o seu rei desespera…
- …CARREGANDO LEMBRANÇAS E UM REINO DE ESPERANÇAS!
Fizeram, assim, metade do seu caminho trauteando, até que, quando as árvores do solo já pareciam formigas, um percalço aconteceu. À sua frente, o chão de terra pregou-lhes uma partida, transformando-se em areia, todavia, o que os esperava não era uma areia qualquer, mas sim areia movediça! Os tatus já tinham ouvido falar deste “monstro”, que engolia qualquer um, um “monstro” que era capaz de sentir o medo de quem ficava preso entre os seus dedos, divertindo-se, comendo os mais medrosos, um monstro que as gentes do reino de Kituki chamavam Gaki. Apesar de Arcus lhes ter sempre dito que não deviam recear o monstro, por ser simplesmente um fenómeno natural, que acabava por assustar os Homens, ele nunca se tinha dado ao trabalho de lhes contar como é que Gaki podia ser derrotado.
- E agora, Zelo, que fazemos? - pergunta Odin, sentindo a sua esperança a desaparecer a cada segundo.
- Eu vou. - Não vais nada! A não ser que tenhas uma razão lógica para quereres ser comido por Gaki... Tu vais mas é ficar no teu lugar! - contesta Odin, irritado com a inconsciência de Zelo.
- Mas eu tenho uma boa razão! Olha para ti, és pequeno e lingrinhas, Gaki comer-te-ia num abrir e piscar de olhos! Eu, pelo contrário, sou grande, forte e robusto, duvido muito que Gaki me consiga comer. Além disso, é como tu disseste, não vamos deixar que o esforço de Arcus seja em vão! Se tudo o que basta para conseguirmos salvar Astrea é ultrapassar este monstrinho esfomeado, então podes ter a certeza de que eu vou conseguir!
- Eu entendo o teu lado, mas tens de perceber que o teu plano não faz sentido. Vá lá, vamos sentar-nos um pouco e definir uma estratégia, ok? Zelo? … Zelo! Bastou Odin desviar o olhar por um segundo, para Zelo marchar, confiante, em direção ao que parecia serem cereais de aveia inofensivos.
No entanto, mal a pata de Zelo tocou na areia, começou a afundar a uma velocidade assombrosa. Indignado, Odin gritou:
- SEU BESOURO IDIOTA! Não sabes que os corpos mais densos se afundam? Ai, mas não te preocupes, vou já ajudar-te…! Dito isto, Odin salta também para as areias movediças, determinado a salvar o amigo. À medida que Odin avança mais e mais pelos grãos de areia, fica agradavelmente surpreendido ao notar que Gaki não o devorava. Pondo de parte esta estranha aptidão, Odin volta a focar-se em Zelo confirmando que o corpo do amigo está cada vez mais submerso. Corre, então, em seu auxílio, escavando ao redor com todas as suas forças. Mas tanto Odin como Zelo sabiam que nenhum corpo capturado por Gaki tinha conseguido escapar de seus dedos. Era uma luta inglória, era um desperdício de tempo, era o fim de Zelo. Apesar disso, Odin não parava de lutar, tendo noção de que era incapaz de lidar com a partida de mais um dos seus companheiros.
- Um dia destes, tens de me ensinar como fazes esse teu truque de flutuar nas areias… - sugere Zelo, com uma lágrima a escorrer-lhe pela face - mas agora vai, não deixes a princesa continuar à espera.
- Não… NÃO! Eu não vou desistir! Tu não me vais fazer isso, nós vamos ultrapassar isto juntos! Só mais um pouco, eu consigo… - replica o tatu cansado, com rios de lágrimas, a consumi lo.
Contudo, nem a força de vontade toda do Mundo pode ganhar à seleção natural. Odin, já só vendo areia, após apanhar todos os cacos do seu coração desfeito, decide, então, seguir caminho. Ele tinha um trabalho para concretizar e ia acabá-lo.
Sem descansar, o tatu andou sem mais nada em mente a não ser a sua missão. Os dias passaram, o tempo mudou, e o pequeno tatu finalmente conseguiu regressar ao reino, transportando na sua carapaça e com todo o cuidado a bela e preciosa Flor de Mil Pétalas. Rapidamente, o monarca de Kituky, desejoso de recuperar a sua filha, apressou-se a chamar o tatu estafado, assim que foi informado do seu regresso. Mal Odin entrou no quarto de Astrea, a flor foi-lhe retirada das patas e os médicos da corte rapidamente se dirigiram à cama onde a princesa repousava.
Mas antes que a flor pudesse ser colocada sobre o coração da menina, Odin falou com uma voz irreconhecível, que já não era uma voz doce, era uma voz vazia e sem cor, era uma voz melancólica:
- Ninguém toca na princesa, acho que ganhei esse direito… Surpreendidos, os médicos reais apressaram-se a dar a Odin a planta mágica, que ele pôs sobre o coração de Astrea.
Lentamente, a cor despertou nas faces da princesa e os seus olhos abriram-se gentilmente, revelando o rosto inocente há muito perdido. Olhando em volta, a princesa, agitada, ao ver-se rodeada de caras alegres e ao aperceber-se de que a Flor de Mil Pétalas, a planta mais rara de todo o Mundo, estava pousada no seu peito, indagou, incrédula, numa voz ainda fraca:
- De onde é que isto veio? Desde os inícios dos tempos que não houve uma única alma viva capaz de a colher… Quem foi?
- Fomos nós, os teus tatus de companhia. É tão bom ter-te de volta, princesa Astrea!
- Odin! Muito obrigada, deve ter sido tão difícil!! Aposto que passaram o tempo todo a discutir, é a única coisa que vocês sabem fazer! Enfim, onde está o Arcus? E o Zelo? Assim que esta pergunta saiu dos lábios de Astrea, a sala ficou silenciosa e os olhos de Odin escureceram.
- El… eles… eles não sobreviveram… mas não faz mal - acrescentou Odin, num esforço para não magoar a princesa -, não tens de ficar triste, é como o Rei sempre diz “Basta um vencer para todos sairmos vitoriosos”! Eles ficaram para trás para que tu pudesses melhorar, para que Kituky pudesse ser grande outra vez. Além disso, eles passaram os últimos dias da sua vida a fazer o que mais gostavam: ajudar-te! Imediatamente, a princesa o envolveu, num abraço caloroso, e Kituky renasceu das cinzas.
- E foi a partir desse dia que finalmente se compreendeu o que já se observava há várias gerações: os tatus pequenos e castanhos sobreviviam mais tempo e tinham mais descendência do que os muito grandes ou muito coloridos. Foi de tal modo que, a partir de certa altura, passaram só a existir tatus pequenos e de cor castanha, a seleção natural favoreceu-os, tendo permitido que continuassem a zelar pela prosperidade de Kituky - contavam os tatus idosos aos seus netos. Esta é a Lenda dos Tatus que Darwin gostaria de ter contado aos seus netos!
Rino vai ao passado
por Inês Lourenço
Numa escola amarela não muito grande, existia uma turma muito bem comportada com pessoas e animais, todos diferentes, que se adoravam. Mais uma semana de aulas tinha passado e a professora girafa explicava os trabalhos de casa.
- Têm de fazer um trabalho sobre uma história do passado e têm de o apresentar para a próxima semana. Podem sair. Bom fim de semana! - Anunciou a professora girafa.
- Bom fim de semana, professora! - Responderam os alunos em uníssono.
Entre eles, estava o rinoceronte Rino, curioso e aventureiro. Tinha perdido os seus pais, que foram mortos por caçadores malvados, por isso foi viver com uns aldeões que o adotaram como filho. Nesse dia, quando contou ao seu irmão, Jacinto, que tinha de fazer um trabalho de história, o seu irmão teve uma ideia para o ajudar.
- Podias usar a minha máquina do tempo e escolher a época para onde queres regressar. Eu até tenho uma sugestão.
- Qual é a época que sugeres? - Perguntou Rino.
- Na época da Revolução Industrial, numa terra longínqua, havia um rei que se apaixonou por uma aldeã. Eles amavam-se, porém, um dia, houve um incêndio inexplicável.
- Ela foi para o céu? – Interrogou Rino entristecido.
- Para descobrir, tens de viajar para outro tempo, para 1790. Assim também testas a minha nova invenção.
-Obrigado, maninho! – Agradeceu, entusiasmado.
Rino preparou uma mochila com tudo o que julgava ser necessário para documentar a sua aventura e, logo de seguida, entrou na máquina do tempo.
-UOUOOUOUOUOUOU! Que viagem! Sinto-me um pouco enjoado. – Ziguezagueou meio tonto.
Rino foi parar a uma praça da terra que o seu irmão lhe tinha indicado. Viu várias casas pobres feitas de pedra e telhado de palha. Havia várias pessoas a trabalhar nos seus campos, vestidas com roupas esfarrapadas e descalças. O ar tinha um leve cheiro a fumo, que Rino presumiu ser das fábricas que estavam por perto. Havia também muitas árvores. Algumas delas tinham umas borboletas brancas e pretas. Como naquela altura ainda não havia internet, Rino procurou num livro, que trazia na mochila, essa espécie: Biston betularia. Havia mais borboletas brancas do que pretas, pois, como os troncos, onde pousavam, eram esbranquiçados, as borboletas claras estavam camufladas, resultando então que os predadores reparavam mais nas escuras e comiam-nas. O rinoceronte tirou algumas fotografias às borboletas e foi explorar a cidade.
- Aiiiii!- Gritou Rino, pois tinha acabado de pisar uma pedra. - Está bem?- Perguntou alguém, com uma voz preocupada.- Eu sou a Gracinha e este é o meu namorado, o Rei Solteirão. Então era deles que o irmão de Rino tinha falado. Gracinha era uma rapariga muito bonita, de cabelo loiro e de olhos azuis. Ela estava sempre contente e adorava animais. O Rei Solteirão era um homem alto, de cabelo castanho claro e de olhos igualmente castanhos.
- Sim, só pisei uma pedra. Obrigado pela preocupação. Eu sou o Rino. – Apresentou-se
- Não é de cá, pois não?
- Não, sou da cidade vizinha.
Rino não gostava de mentir, mas não podia mudar o passado. Isso traria grandes mudanças para o futuro. Uma borboleta branca pousou na mão de Gracinha.
- Esta espécie de borboleta é uma das minhas preferidas. Porém, gosto mais das pretas, que são mais raras, porque se notam mais, e por isso são devoradas pelos predadores.
- Parece saber muito de animais. – Afirmou Rino.
- Como é que a Gracinha e o seu namorado, perdão, o Rei, se conheceram? – Perguntou, curioso.
- Um dia, fui passear pelo reino e vi a Gracinha. Apaixonei-me completamente naquele momento. - Disse o Rei, com um sorriso no rosto.
Rino anotou tudo no cérebro para mais tarde colocar no seu trabalho.
- Agora, nós precisamos ir embora. Foi um prazer conhecê-lo. Adeus. -Adeus. – Despediu-se Rino, fazendo uma vénia.
Quando se estavam a afastar, o rinoceronte tirou-lhes uma foto para colocar no seu trabalho. Depois observou atentamente a tal espécie de borboletas e lembrou-se de que já tinha falado sobre ela nas aulas de ciências. Foi à sua mochila buscar um dos seus livros e viu que aquela espécie tinha evoluído ao longo do tempo. Então, decidiu que desenvolveria os dois temas no seu trabalho. O rinoceronte ia tirando fotografias aqui e ali, mas discretamente, porque não podia deixar ninguém ver o seu telemóvel, já que naquela época ainda não tinha sido inventado.
Decidiu meter os pés ao caminho para ir ver o castelo onde o Rei vivia. Avistou Gracinha ao fundo da rua com uma mulher, mas a sua barriga começou a roncar então, antes de as seguir, foi comer qualquer coisa. Procurou, procurou e procurou, até que achou um restaurante para os turistas. Entrou e comeu. Ao seu lado, estavam duas mulheres muito bem vestidas. Estavam a falar de Gracinha e Rino percebeu que tinham comentado que ia com a madrasta do Rei a um local de massagens. O rinoceronte pagou e seguiu caminho. Quando chegou ao espaço de que ouvira falar, estava trancado. Como é que isso era possível se as senhoras tinham afirmado que elas iam para aquele lugar? Pensou um bocado, mas não encontrou nenhuma explicação.
De repente, começou a ouvir um pedido de socorro que vinha do local das massagens. Arrombou a porta e procurou. O grito ecoava de uma zona que estava trancada e Rino arrombou outra porta. Cheirava muito a fumo e as chamas avançavam furiosas. No meio da fumarada, viu Gracinha, que estava presa pelo fogo.
- Como iria salvá-la? Será que podia? Será que se o fizesse mudava a história daquele local por completo? – Questionou-se. Rino decidiu ajudá-la. Mesmo que mudasse o futuro, não a podia deixar morrer. Tinha de a ajudar!
Então, o rinoceronte foi buscar três baldes para retirar água do rio, que ficava mesmo em frente. Correu, correu e correu para chegar o mais rápido possível. Quando lá chegou, apareceram dois veados, Chic e Let, que também ouviram o pedido de socorro. Com trabalho de equipa, apanharam a água e despejaram-na sobre o fogo. Extinguiram o suficiente para Gracinha, com um grande salto, estar a salvo. Não mudou nada do futuro daquela terra, porque, mesmo que Rino não tivesse ajudado, Gracinha estaria a salvo com a ajuda dos veados. Rapidamente, o rinoceronte colocou Gracinha em cima de um veado e foram para o castelo.
Quando lá chegaram, Gracinha foi examinada por um médico. Felizmente, estava tudo bem. Contudo, não havia explicação para o desaparecimento da madrasta, nem razão para o incêndio. O rinoceronte lembrou-se do que o seu irmão tinha dito “Eles amavam-se, porém um dia houve um incêndio inexplicável.” Como não podia fazer nada nem investigar, porque mudaria o futuro, decidiu saltar 20 anos para 1810 de modo a conhecer o desenrolar da história. Meteu-se na máquina do tempo e clicou nos botões.
- UOUOOUOUOUOUOU! Tenho de dizer ao meu irmão que andar de ano em ano me provoca alguns enjoos. – Ziguezagueou novamente.
Rino olhou em seu redor e reparou que o bosque tinha mudado. Curioso, caminhou até à árvore onde tinha visto pela primeira vez a espécie de borboleta. A árvore estava mais escura, aliás todas as árvores estavam mais escuras, devido à poluição das fábricas, o cheiro a fumo era mais forte e por isso agora eram as borboletas pretas que estavam camufladas nos troncos escurecidos. Ou seja, notavam-se mais as brancas, ao contrário do que tinha observado antes, estando estas mais expostas aos predadores esfomeados. A revolução industrial causou um desequilíbrio dos ecossistemas, a extinção de algumas espécies e a evolução de outras. Rino tirou-lhes algumas fotografias e seguidamente sentou-se encostado à árvore a escrever tudo o que tinha observado, para completar o seu trabalho.
De repente, começou a chover. Não uma chuva qualquer, chuva ácida. Rino pegou na sua mochila e correu para se abrigar. A chuva ácida é uma das consequências da poluição atmosférica, causada pelas fábricas, carros, entre muitas outras ações prejudiciais do ser humano. Os gases desta poluição reagem com o oxigénio do ar e o vapor de água, transformando-se em ácidos que vêm para a superfície terrestre através da chuva. As chuvas ácidas têm muitas consequências, nomeadamente a morte de muitos animais e plantas e a destruição de habitats. Para além disso, também danificam os oceanos, destroem e corroem os monumentos e os edifícios.
Quando a chuva passou, Rino deslocou-se para a máquina, para poder finalmente regressar ao seu tempo. Porém esta estava desfeita e o rinoceronte não sabia consertá-la. Ficou muito aflito. Como iria voltar ao presente? E se não conseguisse voltar para a sua casa e para a sua família? Sentou-se no chão a pensar numa solução para resolver o problema.
Algum tempo depois, apareceu um rapaz muito bem arranjado, que trazia um livro nas mãos. Era Alexandre, filho do Rei e de Gracinha. Estes, depois do incêndio, tinham casado, numa cerimónia linda, e tiveram cinco filhos: o mais velho, Solteirão Júnior; a segunda mais velha, Maria; a do meio, Valentina; o segundo mais novo, Alexandre; e a filha mais nova, Frederica. Quanto à madrasta do Rei, era agora uma estrelinha no céu. Alexandre reparou que algo se passava quando olhou para a carinha de Rino. Foi ter com ele e perguntou o que se passava.
- As chuvas ácidas destruíram a máquina que o meu irmão inventou. – Lamentou o rinoceronte.
- Vou dar-te uma dica. Tudo é um puzzle. A vida é um puzzle. Só tens de começar por uma ponta e ires encontrando as peças que encaixam. Se errares não faz mal, faz parte do caminho. Com a máquina é igual. Monta peça a peça e, se faltar alguma, improvisa com o que tens à tua volta. Agora tenho de ir, porque tenho aulas, mas, se precisares, eu venho ajudar-te no intervalo.
- Muito obrigado! A tua ajuda foi preciosa. – Agradeceu com um sorriso.
O menino retribuiu-lhe o sorriso e seguiu. Depois, Rino ajoelhou-se perante a máquina e peça a peça foi tentando montar as que sobravam e que estavam pouco corroídas pelas chuvas ácidas. A máquina já estava quase toda montada, faltava só um buraquinho, mas não tinha mais peças. Onde arranjaria algo para colocar ali? Nesse preciso momento, caiu uma flor na cabeça de Rino e decidiu colocá-la no tal buraquinho. Entrou na máquina, carregou no botão e voltou para o presente.
- UOUOOUOUOUOUOU! Finalmente no presente. Estava a ver que nunca mais regressava. Olá, maninho. – Cumprimentou, contente e aliviado por ter voltado a casa.
- Olá. Estás bem? O que se passou com a máquina? Está em pedaços!
- Sim, estou bem, mas, quando estava em 1810, caiu uma chuva ácida que quase destruiu a máquina. Consegui repará-la para poder voltar. Funciona, apenas provoca alguns enjoos.
- Ainda bem que estás aqui! Vou reparar a máquina. – Informou o irmão.
- Está bem. Vou fazer o meu trabalho de história. – Declarou Rino.
Dias depois, Rino apresentou o seu trabalho à turma, no qual contou tudo sobre Gracinha e o Rei, sobre as borboletas e como estas evoluíram devido à Revolução Industrial e sobre as chuvas ácidas. Quanto ao seu irmão, conseguiu arranjar a máquina e fazer uns reajustes para não provocar enjoos. Foi reconhecido com vários prémios, tornando-se a pessoa mais nova a inventar algo que mudaria o futuro para sempre, nomeadamente o futuro da ciência, pois com a máquina do tempo passou a ser possível estudar a evolução com uma eficácia nunca antes alcançada!
Borboletae, um reino colorido
por Matilde Carvalho, Marta Carvalho, Valéria Spivocenco, Tiago Sousa
Era uma vez, há muito, muito tempo, uma floresta muito distante, onde havia um reino chamado Borboletae. Neste reino, as borboletas possuíam as mais diversas e vibrantes cores, sendo as mais coloridas as mais formosas e bonitas Quando a Rainha anunciou a sua ‘gravidez’, o povo explodiu de felicidade. Finalmente, teriam uma herdeira para dar continuidade ao próspero e poderoso reino que tanto veneravam! A pequena Joana, que ainda era uma larva, fora mimada com as mais diversas e extravagantes riquezas, tendo sido preparada cautelosamente para o seu encasulamento, após o qual se tornaria na encantadora princesa que o seu povo amaria. Certo dia, quando o Rei visitava os aposentos da princesa Joana, viu um movimento. Os olhos do Rei duplicaram de tamanho e, de repente, saiu do quarto a gritar:
- Rainha, venha cá! Imediatamente! Com o coração palpitante e a mente baralhada, a Rainha, pensando que a sua filha corria perigo, voou velozmente. Mal entrou no quarto, viu uma borboleta de grandes asas tingidas de tons cinzentos, totalmente diferentes do exuberante carmim da sua mãe e da turquesa hipnotizante do seu pai. A Rainha, sentindo-se fraca, apontou a pata trémula à criatura que tinha à sua frente e exclamou:
- Com essa cor, não podes ser nossa filha! Neste reino, somos todos coloridos! Tens dois segundos para abandonar o palácio!
A princesa Joana saiu do seu quarto, soluçando e engolindo as próprias lágrimas, sem sequer olhar para trás. Atravessou o corredor, onde os guardas mantinham as suas posturas retas e corajosas, e ainda assim conseguiu notar os cochichos de alguns deles. Após passar pelos grandes portões do palácio, admirou-se com o imenso grupo de aldeões que rodeava o paço real.
Não davam qualquer sinal de piedade, não contendo os seus olhares repletos de desdém e os seus comentários tingidos com as palavras mais cruéis que Joana alguma vez ouvira. Nunca tinha passado pela mente da pobre princesa que algo tão miserável lhe pudesse acontecer! O mesmo povo que lhe mostrara anteriormente tanta ternura e respeito era o mesmo que agora a odiava e desprezava, apenas pelas suas asas tingidas de tons cinzentos. Com o seu pequeno coração tubular a palpitar incessantemente e o horizonte embaçado pelas lágrimas de cristal que caíam como cascatas dos seus olhos, a pequena borboleta voou. Voou sem rumo, nem pensamento, nem sequer notando que já ultrapassara os altos muros de tijolo que protegiam Borboletae e entrava no Bosque Proibido. Foi então que Joana suspirou. Não sabia se era um suspiro de alívio ou apenas aquele que continha desde que vira, pela última vez, a sua mãe. Enxugou a água que lhe ensopava os olhos e, finalmente, dedicou tempo a analisar o espaço à sua volta.
Os troncos das árvores eram escuros, mais negros do que as nuvens num dia de tempestade, e estendiam-se tão alto que podiam atingir essas mesmas nuvens. Ainda assim, a cena que Joana presenciava era muito mais assustadora do que as meras trovoadas que rompiam os céus. Os ramos estavam nus, não havia sinal de folhas ou flores. A borboleta perguntava-se se haveria sequer alguém que pudesse sobreviver nestas extremas condições. Ao observar um pouco mais, rapidamente se apercebeu do sítio onde se encontrava.
Havia escutado, atentamente, as mais variadas histórias e mitos sobre esta zona da floresta, e lembrara-se de que fora avisada de que nunca, fosse qual fosse a situação, deveria entrar ali. Era ali que residiam as mais perigosas e repugnantes criaturas do mundo, no Bosque Proibido. Pelo menos, era o que a sua mãe lhe havia contado quando ainda era uma pequena larva. Lembrar-se dos pais não era algo que Joana estivesse pronta para fazer, pois assim que a imagem do carmim reluzente da mãe surgiu na sua mente, a borboleta começou a pestanejar, evitando que mais lágrimas caíssem. Mais uma vez, olhou para as suas próprias asas. Eram pintadas de tons cinzentos em toda a sua extensão, nas mais delicadas curvas e cantos, até se enrolarem nas pontas. Os tons das suas asas não eram uma característica de que ela se envergonhasse. Para ela, eram tão únicas e elegantes quanto as asas turquesa de seu pai, ou as asas carmim de sua mãe.
A borboletinha sobressaltou-se quando ouviu um estrondo atrás de si. Com as asas estremecendo, Joana virou o corpo lentamente para a direção do ruído, onde, para sua grande surpresa, se deparou com uma borboleta muito semelhante a si. À sua frente, dois olhos comprimidos analisavam-na atentamente. Algum tempo depois, fez um gesto com as asas, algo que Joana interpretou como um chamamento, e, poucos segundos depois, surgiram dezenas de borboletas, todas elas com asas de tons escuros.
Incapaz de se mover com toda a atenção sobre si, a princesa susteve uma vez mais a respiração, sentindo-se como uma vulnerável e fraca presa, no meio de predadores famintos. Com a voz trémula, Joana questionou a identidade destes seres tão semelhantes a si.
- Somos as habitantes deste bosque. Mas, aqui, a intrusa és tu e, por isso, sugiro que te apresentes - exigiu uma delas.
- O meu nome é Joana, sou a princesa de Borboletae… - fazendo uma pequena pausa antes de deixar a sua cabeça pender. - …ou era a princesa de Borboletae. Não demorou muito tempo até que os dois lados se unissem após partilharem as suas histórias. Tal como ela, estas borboletas tinham sido consideradas, por quem quer que fosse, meras criaturas repulsivas, seres inúteis e indesejáveis, até que encontraram, finalmente, um lugar onde se sentiam queridas. E esta era a vez de Joana.
Assim se passaram os dias na sua nova vida. A princesa estava muito feliz, neste novo local, e sentiu que se tinha integrado bem com as suas novas companheiras. Entretanto, quer o Bosque Proibido quer Borboletae seguiam as suas vidas pacificamente.
Porém, essa felicidade não duraria muito tempo.
Uma semana após a afiliação de Joana às borboletas do Bosque Perdido, receberam notícias de que uma horrível tempestade vinha a caminho. Joana e as suas companheiras prepararam-se minuciosamente, criando abrigos a partir de folhas e de pequenos galhos. O vendaval afetou a floresta inteira, atingindo cada canto e parte da imensa zona. O céu rugia furiosamente e os relâmpagos iluminavam o bosque inteiro. Joana, dentro do seu abrigo, notou uma cor alaranjada à distância e estranhou. Neste tempo cinzento, como seria possível estar ela a ver tons de laranja e vermelhos tão vivos?
- Vejam, vejam! - exclamou uma das borboletas do bosque - Borboletae está a arder!
Ao ouvir tais palavras, Joana sentiu o mundo a desmoronar à sua volta. Não podia ser! Ela tinha de salvar os seus pais de imediato!
No entanto, quando tentou voar para resgatar os pais, sentiu diversas patas prendendo-a ao lugar onde se encontrava. A princesa gritava e chorava, suplicando que a deixassem ir. Estava completamente desnorteada e nada mais lhe passava pela cabeça senão a ideia de ir ao encontro do Rei e da Rainha. Ainda assim, as suas companheiras puxavam-na de volta, implorando que não fosse ao encontro do perigo, pois poderiam perdê-la na tempestade ameaçadora.
Passou-se, assim, a noite de vendaval, com os choros desesperados de Joana e o murmúrio das promessas das outras borboletas, comprometendo-se a ir a Borboletae, na manhã seguinte, quando a tempestade cessasse.
Quando surgiu o novo dia, Joana foi diretamente a Borboletae com as poucas borboletas do Bosque Proibido que sobreviveram. Estavam perto das muralhas do reino quando encontraram a pequena população sobrevivente, arrastando-se nas ervas queimadas. Por cima, voavam pássaros e Joana jurou que conseguia escutar os seus estômagos roncando, famintos. Não demorou muito tempo para que a princesa avistasse os pais, e, para sua desolação, estava uma chapim-real no horizonte. A borboleta desatou a bater as asas, deslocando-se velozmente até aos pais, cobrindo-os com o seu corpo escuro. A ave, após deixar de ver as cores vibrantes das suas presas, foi-se embora, desapontada.
- Minha filha! Salvaste-nos! - exclamou a Rainha, atirando-se para as asas da princesa.
A pequena família abraçou-se fortemente e, no meio de súplicas por perdão, declarações de amor e de promessas, o Rei anunciou que Joana seria coroada Rainha de Borboletae, pela coragem que demonstrara ao salvar os seus monarcas.
E assim se fez.
Joana liderou um reino próspero e poderoso por muito tempo, um reino onde toda e qualquer cor de asas era venerada e percecionada como formosa, pois essa era a riqueza do seu reino: a variabilidade intraespecífica, a matéria-prima a partir da qual a seleção natural atuaria. A nova rainha era vista como símbolo de coragem e de bravura e respeitada por onde quer que voasse, sendo conhecida desde os reinos vizinhos até aos reinos mais longínquos. Esse reconhecimento perdurou durante muitas gerações, pois a variabilidade intraespecífica do seu reino permitiu que este se adaptasse sucessivamente às novas condições do meio. Foi assim que a linhagem das borboletas de Borboletae não se extinguiu. Pelo contrário, as borboletas evoluíram, chegando até aos nossos dias um pouco diferentes do que foram no passado, mas igualmente deslumbrantes!
Júri do Concurso "Os Contos que Darwin gostaria de ter lido aos netos"
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Ana Maria Teixeira Soares Ferreira
Licenciada em Ensino de Português e Inglês pela Universidade de Aveiro, é docente e adjunta da Direção do Agrupamento de Escolas de Ovar Sul. Mestre em Literatura Portuguesa pela FLUC, com uma tese sobre a poesia de Alexandre O'Neill intitulada O Humor Satírico na Poesia de Alexandre O’Neill: Entre o Exorcismo e o Desafio. Doutorada em Literatura pela UA, com uma dissertação sobre as representações da morte em Mia Couto. Desde 1992, tem lecionado Português, Literatura Portuguesa, Cultura Portuguesa e Língua Portuguesa nos ensinos básico, secundário e superior. Tem-se dedicado à formação de professores de Português, integrando a bolsa de formadores do Centro de Formação Intermunicipal de Estarreja, Murtosa e Ovar. Nos últimos anos, tem vindo a participar em várias iniciativas culturais da Câmara Municipal de Ovar, destacando-se a colaboração com o Museu Júlio Dinis – uma Casa Ovarense, com comunicações e artigos sobre Júlio Dinis, assim como um texto crítico sobre O Canto da Sereia, novela de Júlio Dinis reeditada em 2021. |
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Susana A. M. Varela
Licenciada em Biologia Animal pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Com Mestrado e Doutoramento em Ecologia Comportamental e Biologia Evolutiva pela Sorbonne Université Campus Pierre et Marie Curie, em Paris, França. Actualmente é investigadora do William James Center for Research, em Lisboa, e do Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras. Desde 2013, tem leccionado Comportamento Animal e Neurobiologia do Comportamento na Faculdade Ciências da Universidade de Lisboa e no ISPA-Instituto Universitário. Estuda o comportamento social em animais não-humanos com duas abordagens principais: 1) o estudo das condições ecológicas sob as quais o comportamento social é adaptativo; e 2) o estudo dos mecanismos neuronais através dos quais os animais adquirem, aprendem e usam a informação social. Faz parte da direcção da APBE desde 2015, com a qual se tem dedicado, entre outras actividades, a apoiar projectos de divulgação científica. |
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Pedro Azevedo
Licenciado em Biologia - Ramo Educacional pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto Professor de Ciências Naturais e Biologia e Geologia do 3.o Ciclo e Ensino Secundário desde 2005. Passou pelo Centro Multimédia da Porto Editora entre 2013 e 2019, gerindo e desenvolvendo a criação de conteúdos educativos digitais para a Escola Virtual. Atualmente é professor de Ciências Naturais e Biologia e Geologia na Escola Secundária Frei Gonçalo de Azevedo em São Domingos de Rana, Concelho de Cascais. |


